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Utilizando ultrassom na prática diária: O que o enfermeiro deve saber?

Escrito por: Renata Mantegassi Cáceres

  1. É uma tecnologia nova?  

A primeira utilização de US para acesso venoso central data de 1984. Nos Estados Unidos, desde o início dos anos 90, os enfermeiros iniciam a utilização do US para inserção de PICC e a descrição da primeira punção periférica guiada por US, feita em 1999, aponta 91% de sucesso na utilização desta abordagem (KEYES et al., 1999). 

A Associação Americana de Enfermagem em Emergência (Emergency Nurses Association – ENA) recomendada como nível “A” de evidência a utilização da ultrassonografia para acessos intravenosos difíceis (constitui procedimento não invasivo, que não utiliza radiação ionizante e pode visualizar vasos mais profundos, difíceis de serem acessados pela palpação às cegas ou mesmo por alguns procedimentos que utilizam raios próximos do infravermelho (FLATO; PETISCO; SANTOS, 2009; CROWLEY et al., 2011). 

2. E por que eu deveria considerar a utilização do US? 

A enfermagem é uma ciência em constante evolução e os profissionais devem se manter atualizados. Em sintonia com a evolução tecnológica e baseando-se sempre nas recomendações e literatura nacional e internacional, a terapia infusional dá um salto em qualidade e segurança quando engloba em seu rol de procedimentos a utilização de equipamento de ultrassonografia para identificação / direcionamento do acesso venoso periférico.  

…Use tecnologia para visualização da rede venosa (por exemplo, raios próximos do infravermelho, ultrassom) para aumentar o sucesso nos pacientes com acesso venoso difícil (consulte o Padrão 22, Visualização Vascular).     

INS, 2016. 

…Usar metodologia de visualização para instalação de cateteres em adultos e crianças com rede venoso difícil e/ou após tentativas de punção sem sucesso 29-32. (I)  

ANVISA, 2017. 

…Para pacientes com acesso venoso difícil, a punção periférica guiada por US demonstrou uma taxa global de sucesso acima de 90%, comparada aos 25-30% utilizando a técnica de punção convencional [2–4, 6]. Os níveis de satisfação dos pacientes também aumentam com a utilização de US [2]. 

Blanco  Ultrasound J  Ultrasound-guided peripheral venous cannulation in critically ill patients: a practical guideline  (2019) 11:27  https://doi.org/10.1186/s13089-019-0144-5 

3. De que maneira o US impacta na minha prática assistencial? O que muda? 

Pensando sempre na melhoria da qualidade da assistência e segurança do paciente, é possível associar a utilização da tecnologia a uma série de estratégias desenvolvidas para diminuir os riscos associados à assistência à saúde, que são trazidas para a prática diária dos profissionais sob forma de conjuntos ou pacotes de intervenções – os famosos bundles. Estes buscam, entre outros objetivos, auxiliar na padronização das condutas clínicas, diminuindo a variabilidade nos cuidados prestados e disponibilizando diretrizes assistenciais aos profissionais, facilitando a tomada de decisões e mantendo a cultura de protocolos assistenciais.  

Não se conhece qualidade e segurança na assistência à saúde sem considerar a execução correta da técnica asséptica, que é reconhecida como um componente essencial de todos os programas de prevenção de infecções. Ela é amplamente praticada pelos profissionais em âmbito hospitalar para manter os pacientes protegidos e com um risco mínimo de contrair quaisquer tipos de infecções causadas pelos microrganismos nosocomiais.  

Associando a incorporação de novas tecnologias à prática diária e a execução correta da técnica asséptica, é oportuno saber que já existe disponível no mercado nacional um kit específico para punção guiada – um produto único que se apresenta com uma alternativa para auxiliar na construção do bundle para gestão do acesso venoso periférico. 

Resumindo: 

– Considera-se a punção venosa periférica guiada por US uma alternativa bastante viável ao método convencional, especialmente em pacientes com rede venosa comprometida, histórico de múltiplas punções mal sucedidas, em uso prolongado de terapia infusional (QT), edemaciados, obesos, usuários de drogas, pediátricos e outros.  

– Como qualquer outra técnica que tenhamos aprendido, ela envolve alguns aspectos bastante relevantes que devem ser considerados pelo profissional que pretende iniciar nesta “aventura” – lembrando sempre que o desafio é o que nos motiva: 

(estes pontos devem servir somente para que as expectativas sejam claras) 

  • Exige dedicação e estudo, para conhecer o equipamento, identificar e diferenciar estruturas, agora vistas sob novas perspectivas  
  • Exige desafio: O enfermeiro precisa aprender a “tirar os olhos da área de punção e voltá-los para o monitor do equipamento” 
  • Exige treinamento para aquisição de destreza e intimidade com o equipamento, além da coordenação mão-olhos 
  • Exige disponibilidade de tempo e persistência: No início o procedimento poderá parecer complexo e demorado, atrapalhando mais do que ajudando na execução da punção 
  • Exige paciência – todo novo conhecimento passa por uma curva de aprendizado antes de tornar-se automático 

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