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OncoSafe Arisure: Sistema Fechado para Transferência de Medicamentos – luxo ou necessidade?

por: Patricia Zancanella

O zelo pela segurança do paciente deve ser a prioridade total dos serviços de saúde. Nada mais justo. A gestão do risco deve ser o fio condutor de cada movimento do profissional de saúde. Perfeito. É no mínimo intrigante como batalhamos com afinco incontestável pela segurança do nosso paciente, mas por diversas vezes negligenciamos a nossa própria segurança ao não exigirmos minimização dos riscos ocupacionais aos quais farmacêuticos e enfermeiros estão expostos na sua rotina de trabalho.

Que enfermeira atuante em oncologia tem coragem de não realizar mamografias anuais a partir dos quarenta anos, como preconiza o Ministério da Saúde? Sabemos do risco inerente. Temos dados, bagagem, para analisar cus-to/benefício ou, mais apropriadamente, o risco/benefício, e tomar uma decisão consciente.

Mas, o que dizer com relação ao uso de sistema fechado para manipulação e administração de medicamentos antineoplásicos? Somos leões para defender nossos pacientes, mas quem lutará por nós, para que não sejamos nós os pacientes com câncer no futuro? Por que escolhemos deliberadamente negligenciar tais riscos ocupacionais?

Faltam dados brasileiros para corroborar a necessidade de uso de sistemas fechados? Sim, sem dúvida. Contudo, ausência de dados brasileiros não significa ausência de dados válidos e contundentes.

O Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos (National Institute for Occupational Safety and Health – NIOSH) é a agência federal dos EUA responsável pela realização de pesquisas e produção de recomendações para a prevenção de lesões e doenças relacionadas com o trabalho. A missão do NIOSH é desenvolver novos conhecimentos na área de saúde e segurança ocupacional e transformar estes conhecimentos em ações práticas.

NIOSH é parte do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), no Departamento de Saúde e Serviços Humanos e conta com mais de 1.300 funcionários de várias áreas do conhecimento, incluindo epidemiologia, medicina, enfermagem, higiene industrial, psicologia, química, estatística, economia e várias especialidades da engenharia.

Em 2004, o NIOSH publicou o documento intitulado Alert. Preventing occupational exposure to antineoplastic and other hazardous drugs in health care settings (Alerta – Prevenindo exposição ocupacional aos antineoplásicos e outros medicamentos perigosos em instituições de saúde). Já no prefácio, o documento define sua importância: “O Alerta pretende tornar trabalhadores e empregadores mais conscientes sobre os riscos de exposição aos medicamentos antineoplásicos e as ferramentas para prevenir tais riscos.”

De quais riscos estamos tratando especificamente? O próprio documento informa que: “traba-lhar com ou próximo de medicamentos perigosos em instituição de saúde pode causar rashes cutâneos, infertilidade, abortos espontâneos, defeitos congênitos, leucemia, dentro outros tipos de câncer.” Para tornar esses riscos palpáveis, reais para cada um de nós, o Alerta apresenta cinco casos reais de trabalhadores que sofreram efeitos adversos pela exposição a medicamentos antineoplásicos no ambiente de trabalho.

Quanto à comprovação de que a exposição ocupacional é um fato inquestionável, o relatório apresenta evidências de que os profissionais estão sendo expostos aos medicamentos perigosos e estão passando por eventos adversos importantes apesar das diretrizes em prática atualmente.

Em 1999, os autores Sesink e Bos perceberam que 11 de 12 estudos relataram ciclofosfamida na urina de profissionais de saúde testados, demonstrando exposição contínua mesmo quando as precauções de segurança existiam e eram consistentemente adotadas.

Numa pesquisa de 2001, Harrison reportou que seis medicamentos diferentes (ciclofosfamida, metotrexato, ifosfamida, epirrubicina, cisplatina/carboplatina) foram detectados na urina de trabalhadores de 13 dentre 20 investigações.

Petram et al. (2003) encontraram medicamentos antineoplásicos na urina de farmacêuticos e enfermeiros de 14 hospitais na Alemanha, avaliados durante um período de três anos. Os medicamentos detectados foram ciclofosfamida, ifosfamida, doxorrubicina, epirrubicina e platina. Por outro lado, a investigação conduzida por Wick et al. (2003) demonstrou que “o uso de sistema fechado para transferência de medicamentos durante seis meses reduziu não só a concentração de ciclofosfamida e ifosfamida na urina, mas, também, a porcentagem de amostras contaminadas por estes medicamentos.”

Numa mentalidade de gestão, devemos reduzir os riscos tanto quanto for possível. Por isso é pertinente o mindset do Alerta NIOSH, que apresenta diversas recomendações que, somadas, reduzem os riscos. “E esta é a justificativa irrefutável para adoção dos sistemas fechados para transferência de medicamentos” – a adição de mais uma etapa de redução de risco ocupacional.

O NIOSH define o sistema fechado para transferência de drogas como um dispositivo mecânica-mente fechado, que impede a transferência de contaminantes ambientais para dentro do sistema e o escape de medicamentos perigosos, na forma de aerossóis, para fora do sistema.

Neste ponto, vale um debate apropriado com relação ao tema proposto. Os riscos existem? Sim e são incontestáveis. Os trabalhadores adoecem em função destes riscos? Indubitavelmente! Tomar decisões de assumir riscos à nossa saúde é um direito nosso. Mas, o que dizer dos abortos espontâneos e defeitos congênitos relacionados à exposição ocupacional aos agentes antineoplásicos? Temos consciência do impacto da decisão que estamos tomando?

Controle microbiológico atestado

Como a própria definição do dispositivo indica, é atribuição básica do sistema fechado manter a integridade microbiológica do medicamento, seja a sobra no frasco ou a dose já pronta. A manutenção da esterilidade por até sete dias foi averiguada para a linha OncoSafe Arisure, utilizando os adaptadores de frascos OncoSafe Arisure Closed Vial Adapter, e usando amostras de frascos de medicamentos e doses unitárias. Para um intervalo de confiança de 95%, 60 amostras foram manuseadas em área ISO classe 5 e testadas quanto à esterilidade. Controles microbiológicos negativos e positivos foram utilizados. Todas as 60 amostras manuseadas com OncoSafe Arisure Closed Vial Adapter mantiveram sua esterilidade por sete dias (168 horas). A redução das perdas de sobras de medicamentos e doses prontas podem amortizar o custo do sistema, revertendo em redução dos riscos aos profissionais expostos.

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